É como diz o Gaines Campbell, da ONG Vitae Civillis: a negociação do clima parece briga de criança. Eu não entendo da arte da diplomacia, mas justamente por isso é importante mostrar como a coisa toda parece bizarra do ponto de vista do cidadão médio, que é o ponto de vista do bom senso.
“Eu não vou fazer enquanto os outros não fizerem” resume a posição de quase todos os países relevantes para a negociação internacional. O Brasil não é exceção. E se alguém piscasse primeiro? O meu pobre raciocínio indica que a apresentação de um compromisso concreto e ambicioso por parte de qualquer um dos países importantes levaria a um constrangimento para os demais, que só ajudaria a empurrar um acordo pra frente. Para os anais da história, ficariam os líderes heróis.
A análise de Fernando Rodrigues, publicada hoje na Folha, corrobora esse meu raciocínio. Mas Rodrigues aponta que não interessa ao Brasil constranger os demais países emergentes, especialmente porque continuamos na eterna busca de apoio para aquele assento no Conselho de Segurança da ONU...
Eu acho que nós aqui debaixo do sol, bem longe do Olimpo diplomático internacional, é que estamos com o papo furado. Falamos tanto em “liderança mundial”, “momento histórico”, “oportunidade única”, mas nenhum dos líderes mundiais parece muito interessado nessa conversa, nessa tal oportunidade.
Sem metas ambiciosas, o Brasil caminha para apresentar, no máximo, a proposta de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020. E mesmo assim, sabe-se lá como vamos alcançar esse objetivo.
O presidente assina um decreto para punir o desmatamento ilegal (que deveria entrar em vigor este mês). Aí vêm os ruralistas para tentar aprovar uma anistia, antes de a nova regra entrar em vigor. Pois se o governo não conseguir sequer fazer valer um decreto presidencial, como vai emplacar essa queda dramática no desmatamento?