Pra lá e pra cá
21/05/2009 às 18:05
Vai uma carona aí?

Sabe aquela cena do fulano com mochila nas costas pedindo, do acostamento, carona a alguma boa alma? Pois é, esta cena eu ainda não presenciei na Alemanha. Em vez do conhecido polegar estendido, vejo todos os dedos sobre o teclado do computador. Hoje em dia, é assim que se pede carona.

Principalmente em tempos de combustível caro, o melhor a fazer é adicionar como site favorito um bolsão de carona. Dezenas desses sites estão em operação e cadastram continuamente os deslocamentos de quem está disposto a alugar um assento de seu automóvel. Quem busca carona só precisa digitar aonde se quer chegar e o horário preferido para viajar.

Algum tempo atrás, testei o serviço do site alemão com a maior comunidade de usuários. Eu queria viajar em uma sexta-feira de Berlim a uma cidade de 80 mil habitantes. E bingo! Pela internet, encontrei o seu Werner, um motorista que dizia viajar uma vez por semana exatamente para lá. O site informava que a carona me custaria 15 euros, descrevia a rota que o seu Werner iria realizar e até detalhava que (infelizmente) era permitido fumar durante a viagem.

Cheguei na hora marcada a nosso desaconchegante ponto de encontro: debaixo da ponte de uma estacao de metrô. Logo que o Mercedes C-Klasse vermelho escuro do seu Werner parou com o pisca-alerta acionado, outras pessoas se aproximaram. Ali mesmo, conheci quem me faria companhia pelas próximas quatro horas. Ou melhor: por precisamente quatro horas e quinze minutos, incluído o tempo de um pit stop em um posto de gasolina, conforme o motorista logo nos avisou.

Financeiramente, parece que todo mundo saiu ganhando com a carona. Eu economizei uma grana, porque de trem ou mesmo de ônibus, a viagem sairia mais cara. O seu Werner também saiu no positivo: em vez de fazer a viagem sozinho, encontrou outras quatro pessoas e, assim, arrecadou 60 euros – o suficiente para cobrir, pelo menos, os custos de combustível de seu Mercedes. (Já deve haver gente especializada em ganhar dinheiro com esse negócio de carona.) O meio ambiente também foi poupado com a ocupação mais intensiva do carro do Seu Werner.

O mais interessante é que, de uns anos para cá, essas oportunidades de carona deixaram de ser coisa exclusiva de estudantes com pouco dinheiro e viajantes independentes. Hoje em dia, senhores, pessoas que fazem viagens de negócios e mesmo trabalhadores que moram em uma cidade e trabalham todo dia em outra se deslocam com a carona arranjada na internet. Nesse meio tempo, os sites também evoluíram. Já é possível avaliar a carona (relatos de más experiências podem culminar até na exclusão do ofertante) ou mesmo fechar um contrato anti-pane (que assegura a continuacao da viagem por trem ou por táxi, caso o carro quebre no meio do caminho).

Eu não fechei o seguro, mas deixo aqui meu depoimento positivo. Apesar do aperto no banco de trás, do incômodo da fumaça de cigarro de vez em quando e do silêncio prolongado entre os desconhecidos transportados, a carona me pareceu uma coisa bem bacana. Sei que há gente pensando em implantar algo parecido em cidades brasileiras, considerando especialmente a segurança física das pessoas. Desenvolver a cultura da carona no Brasil é um esforço que precisa mesmo ser feito. Afinal, não é bonito ver a internet conectando pessoas e facilitando o dia-a-dia da gente?





Comentários

22/05/2009 às 12:02
Marina - diz:
Oi, TH! Aqui no Brasil, ainda mais em SP, seria uma ótima ideia. O único site que conheço do tipo é ligado à GM, mas quem sabe é um começo? Vc conhece o http://www.caronachevrolet.com.br/ext/chevrolet_carona/index.php? Beijos



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Por Thiago
Guimarães

Thiago Guimarães é jornalista, economista, mas antes de tudo paulistano. Com o apoio da Fundação Heinrich Böll (ligada aos verdes alemães), cursa o mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, em Hamburgo. O blog Pra lá e pra cá se define como uma praça onde pontos de vista e reflexões sobre mobilidade urbana sustentável costumam se encontrar.
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