seu lugar
Moradas Sustentáveis
Em meio à cinzenta paisagem de São Paulo, surgem algumas construções afinadas aos princípios da sustentabilidade. São prédios e casas que consomem menos água e energia elétrica, trazem qualidade de vida aos moradores e diminuem os prejuízos ambientais para as gerações futuras
Michele Silva
Revista Arquitetura & Construção - 02/2009
Para viver em harmonia com a natureza, não basta reciclar o lixo e fechar a torneira na hora de escovar os dentes. As construções de casas e prédios sustentáveis também têm papel fundamental no palco de um planeta que queremos: viver com uma qualidade de vida mais saudável. Em São Paulo, por enquanto, esse cenário ainda não é dos mais animadores. Principalmente no segmento das edifi cações residenciais.
Mas, há sinais de que tudo caminha para mudar. Pelo menos, as construtoras estão de olho em projetos que contemplem equipamentos redutores do consumo de água e de energia, entre outros itens. “É uma tendência que cresce conforme as pessoas ficam mais conscientes da importância de morar num espaço que contribua para reduzir o impacto ambiental”, diz Alberto Du Plessis, vice-presidente de Tecnologia e Relações de Mercado do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Alguns condomínios residenciais já rezam a mesma cartilha dos prédios comerciais, na questão da sustentabilidade.
| [img1] | É o caso do loteamento do condomínio Gênesis 2, da incorporadora Y. Takaoka, em Santana do Parnaíba, que adota energia solar para aquecer piscinas, tem estação própria de tratamento de esgoto e preserva a mata nativa. É ali que o engenheiro Maurício de Castro instalou sua casa. Toda ecológica. |
| [img2] | Na casa do engenheiro Maurício de Castro, panos de vidro captam a luz natural. Há sistema de aquecimento de água com energia solar. |
| [img3] | Em todos os banheiros, a válvula de descarga tem sistema dual para 3 ou 6 litros, o que pode diminuir em até 40% o consumo de água. |
| [img4] | Na cozinha, os resíduos de alimentos são triturados, diminuindo o lixo orgânico e gerando economia no armazenamento e no uso de materiais de limpeza. |
| [img5] | No residencial da Ecoesfera, a coleta do lixo é seletiva e a venda dos resíduos gera receita adicional para abater os custos com o condomínio, que tem apartamentos de 47 a 207 m2. |
10 ITENS EM QUE PRESTAR ATENÇÃO
Menos de 20% dos empreendimentos que aguardam a certifi cação LEED (Leadership in Energy and
Environmental Design), a mais importante para construções sustentáveis, é residencial. A falta de interesse dos compradores por itens que reduzam o impacto ao meio ambiente é a principal justifi cativa das construtoras.
“No caso das edificações comerciais, esses itens já representam valor agregado, e várias empresas até exigem certificação”, diz Joaquim Rondon, gestor sócio-ambiental da construtora JHSF, responsável pelo Parque Cidade Jardim, na zona sul, cujas torres comerciais contarão com uma série de recursos para receber o selo verde.
1 Placas captadoras de energia solar para aquecimento de água e iluminação.
2 Telhado ecológico. Coberto com vegetação, permite maior conforto térmico ao reduzir a necessidade de ar condicionado.
3 Medidor individual de água, gás e energia.
4 Aquecimento de água a gás.
5 Reúso da água do chuveiro para irrigação do jardim e válvula com controle de água na descarga da bacia sanitária.
6 Nas áreas comuns, sensores de presença que ativam a iluminação e lâmpadas econômicas (como as fluorescentes).
7 Motores de alta performance para os elevadores.
8 Lixeiras para coleta seletiva (metal, papel, plástico, material orgânico).
9 Sistema de captação e aproveitamento da água da chuva.
10 Área verde preservada no empreendimento.
MANUTENÇÃO EM CONTA Enquanto as construções ecológicas residenciais caminham a passos lentos, os prédios comerciais disparam na frente quando se trata de sustentabilidade. Estas edificações costumam contar com elevadores que consomem até 40% menos energia elétrica, vidros isotérmicos para otimizar a iluminação natural sem elevar a temperatura no interior dos espaços e área verde compatível com o tamanho do empreendimento, entre outros recursos. Existem cerca de 90 prédios ecológicos no Brasil, grande parte na cidade de São Paulo, segundo Nelson Kawakami, diretor-executivo do GBC Brasil
(Green Building Council), órgão que concede os certificados verdes LEED. Destes, aproximadamente, 80% são comerciais.
A justificativa da quantidade ser maior do que as construções residenciais se refere à economia com a manutenção. Como as construtoras de edificações comerciais, geralmente,
são as responsáveis pela administração do empreendimento, elas priorizam na obra itens que reduzam o gasto mensal durante o uso. A taxa de condomínio cai até 30%. E por que essa lógica não
é aplicada às moradias? “Porque é preciso mudar o comportamento dos consumidores, e isso leva tempo”, afirma Nelson. O preço dos imóveis também pode ser um ponto que assuste. Mas se engana quem pensa que são muito mais caros. “Custam, em média, 5% mais que os prédios comuns, porém o imóvel sofre grande valorização depois de pronto”, acrescenta Nelson. Não custa tanto ficar de bem com a natureza.
EXEMPLOS DE SUCESSO
Primeira construção no Brasil a obter o LEED, em 2007, o prédio onde funciona a agência do banco Real, na Granja Viana, em São Paulo, foi construído com cimento de resíduos de fornos siderúrgicos, britas recicladas, tintas sem solventes e madeira certificada. Além disso, a agência conta com sistemas de reutilização de água e captação de energia solar.
A nova sede do laboratório Delboni Auriemo, na zona norte, obteve certificação em
2008. A construção utilizou materiais reciclados e certificados, implantou programas para
redução do consumo de água e energia e de reciclagem de lixo.
Para viver em harmonia com a natureza, não basta reciclar o lixo e fechar a torneira na hora de escovar os dentes. As construções de casas e prédios sustentáveis também têm papel fundamental no palco de um planeta que queremos: viver com uma qualidade de vida mais saudável. Em São Paulo, por enquanto, esse cenário ainda não é dos mais animadores. Principalmente no segmento das edifi cações residenciais.
Mas, há sinais de que tudo caminha para mudar. Pelo menos, as construtoras estão de olho em projetos que contemplem equipamentos redutores do consumo de água e de energia, entre outros itens. “É uma tendência que cresce conforme as pessoas ficam mais conscientes da importância de morar num espaço que contribua para reduzir o impacto ambiental”, diz Alberto Du Plessis, vice-presidente de Tecnologia e Relações de Mercado do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Alguns condomínios residenciais já rezam a mesma cartilha dos prédios comerciais, na questão da sustentabilidade.
| [img1] | É o caso do loteamento do condomínio Gênesis 2, da incorporadora Y. Takaoka, em Santana do Parnaíba, que adota energia solar para aquecer piscinas, tem estação própria de tratamento de esgoto e preserva a mata nativa. É ali que o engenheiro Maurício de Castro instalou sua casa. Toda ecológica. |
| [img2] | Na casa do engenheiro Maurício de Castro, panos de vidro captam a luz natural. Há sistema de aquecimento de água com energia solar. |
| [img3] | Em todos os banheiros, a válvula de descarga tem sistema dual para 3 ou 6 litros, o que pode diminuir em até 40% o consumo de água. |
| [img4] | Na cozinha, os resíduos de alimentos são triturados, diminuindo o lixo orgânico e gerando economia no armazenamento e no uso de materiais de limpeza. |
| [img5] | No residencial da Ecoesfera, a coleta do lixo é seletiva e a venda dos resíduos gera receita adicional para abater os custos com o condomínio, que tem apartamentos de 47 a 207 m2. |
10 ITENS EM QUE PRESTAR ATENÇÃO
Menos de 20% dos empreendimentos que aguardam a certifi cação LEED (Leadership in Energy and
Environmental Design), a mais importante para construções sustentáveis, é residencial. A falta de interesse dos compradores por itens que reduzam o impacto ao meio ambiente é a principal justifi cativa das construtoras.
“No caso das edificações comerciais, esses itens já representam valor agregado, e várias empresas até exigem certificação”, diz Joaquim Rondon, gestor sócio-ambiental da construtora JHSF, responsável pelo Parque Cidade Jardim, na zona sul, cujas torres comerciais contarão com uma série de recursos para receber o selo verde.
1 Placas captadoras de energia solar para aquecimento de água e iluminação.
2 Telhado ecológico. Coberto com vegetação, permite maior conforto térmico ao reduzir a necessidade de ar condicionado.
3 Medidor individual de água, gás e energia.
4 Aquecimento de água a gás.
5 Reúso da água do chuveiro para irrigação do jardim e válvula com controle de água na descarga da bacia sanitária.
6 Nas áreas comuns, sensores de presença que ativam a iluminação e lâmpadas econômicas (como as fluorescentes).
7 Motores de alta performance para os elevadores.
8 Lixeiras para coleta seletiva (metal, papel, plástico, material orgânico).
9 Sistema de captação e aproveitamento da água da chuva.
10 Área verde preservada no empreendimento.
MANUTENÇÃO EM CONTA Enquanto as construções ecológicas residenciais caminham a passos lentos, os prédios comerciais disparam na frente quando se trata de sustentabilidade. Estas edificações costumam contar com elevadores que consomem até 40% menos energia elétrica, vidros isotérmicos para otimizar a iluminação natural sem elevar a temperatura no interior dos espaços e área verde compatível com o tamanho do empreendimento, entre outros recursos. Existem cerca de 90 prédios ecológicos no Brasil, grande parte na cidade de São Paulo, segundo Nelson Kawakami, diretor-executivo do GBC Brasil
(Green Building Council), órgão que concede os certificados verdes LEED. Destes, aproximadamente, 80% são comerciais.
A justificativa da quantidade ser maior do que as construções residenciais se refere à economia com a manutenção. Como as construtoras de edificações comerciais, geralmente,
são as responsáveis pela administração do empreendimento, elas priorizam na obra itens que reduzam o gasto mensal durante o uso. A taxa de condomínio cai até 30%. E por que essa lógica não
é aplicada às moradias? “Porque é preciso mudar o comportamento dos consumidores, e isso leva tempo”, afirma Nelson. O preço dos imóveis também pode ser um ponto que assuste. Mas se engana quem pensa que são muito mais caros. “Custam, em média, 5% mais que os prédios comuns, porém o imóvel sofre grande valorização depois de pronto”, acrescenta Nelson. Não custa tanto ficar de bem com a natureza.
EXEMPLOS DE SUCESSO
Primeira construção no Brasil a obter o LEED, em 2007, o prédio onde funciona a agência do banco Real, na Granja Viana, em São Paulo, foi construído com cimento de resíduos de fornos siderúrgicos, britas recicladas, tintas sem solventes e madeira certificada. Além disso, a agência conta com sistemas de reutilização de água e captação de energia solar.
A nova sede do laboratório Delboni Auriemo, na zona norte, obteve certificação em
2008. A construção utilizou materiais reciclados e certificados, implantou programas para
redução do consumo de água e energia e de reciclagem de lixo.