certificação
Ecológico de verdade
Selo verde concedido por instituto americano é privilégio de poucos imóveis
Vanessa Barbosa
Revista Veja Rio – 20/05/2009
A metragem do imóvel, o número de dormitórios, o endereço e as condições de pagamento são informações corriqueiras nos anúncios de lançamentos imobiliários. Agora, boa parte das campanhas acrescenta um novo argumento de venda, intitulando de "prédio verde" muitos empreendimentos. Entre o título e a realidade existe um certo espaço para a cautela. Não basta ter um jardim bem cuidado ou meia dúzia de árvores para merecer o crédito. Uma boa maneira de checar a vocação ambiental do imóvel é saber se ele possui o Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), certificado fornecido com parcimônia pelo instituto americano U.S. Green Building Council Brasil. Para obtê-lo, o imóvel tem de atender no mínimo a 26 exigências, de uma lista com 69. São avaliados o consumo de energia, o reaproveitamento de água, o uso de materiais certificados ou reciclados na construção e no mobiliário, a localização do prédio e a baixa produção de resíduos, entre outros itens. Seguir com rigor os padrões tem seu preço: a construção fica de 5% a 10% mais cara. "A contrapartida é a redução de até 35% na emissão de gás carbônico", afirma Nelson Kawakami, diretor do Green Building Council.
[img1]No Rio estão treze dos 119 empreendimentos no país que pleiteiam o selo, concedido até hoje a apenas quatro endereços brasileiros: três em São Paulo e um aqui – o edifício da Petrobras na Cidade Nova. O complexo de escritórios Ventura Corporate Towers, em construção na Avenida Chile, no Centro, é um dos postulantes. Ele conta com vidros especiais para reduzir o calor e sensores nas torneiras que diminuem em até 30% o consumo de água. Outro ponto positivo é que o conjunto tem 40% de seu material adquirido num raio inferior a 800 quilômetros, o dobro do mínimo estabelecido. A unidade de Jacarepaguá do Colégio Cruzeiro também busca a certificação. Chama atenção a árvore preservada que assoma numa vitrine dentro da biblioteca. Um anexo a ser erguido vai explorar a luz natural e terá o telhado coberto de vegetação, para amenizar a temperatura interna. O residencial Ecolife Freguesia, em Jacarepaguá, outro pretendente, usará a energia solar para aquecer a água. "A construção ecológica é viável e lucrativa", avalia David Cardeman, consultor da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário. "É uma aposta do setor."
Veja também:
GBC Brasil busca selo verde adaptado à realidade nacional
A onda verde chegou aos escritórios
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