arte pela educação
Duda Penteado traz sua obra a São Paulo
Artista paulistano radicado em Nova York, Duda Penteado trouxe seu projeto “Beauty for Ashes” (Das Cinzas à Beleza) – uma reflexão a partir do ataque ao World Trade Center - à sua cidade natal. Ele apresentou seu trabalho durante palestra para convidados e quer construir um trabalho artístico em parceria com jovens, unindo arte e educação
Manoella Oliveira
Planeta Sustentável - 11/09/2009
Localizado no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor deveria usar um colete à prova de balas. Pensando nisso e com a clara intenção de provocar seu público, os jovens de Vitória que participaram da criação do mural do projeto “Beauty for Ashes” (Das Cinzas à Beleza), idealizado por Duda Penteado, não apenas imaginaram essa figura como a inseriram como elemento gráfico em uma obra de arte. Trata-se de um painel feito por muitas mãos a partir da reflexão sobre a agressividade do ser humano diante dos problemas modernos, resultado do trabalho desenvolvido sob a orientação do artista, quando foi trazido ao Brasil pela primeira vez, em 2007.
Tudo começou quando o artista plástico, radicado em Nova York há dez anos, assistiu, de seu ateliê, ao ataque do World Trade Center que levou as torres gêmeas à ruína, em 11 de setembro de 2001. “Achei que era o início da terceira guerra mundial e repensei sobre qual seria minha contribuição para a Humanidade. A cena me lembrou Guernica, de Picasso, que ilustra a guerra da Espanha, e mudei minhas perspectivas. O que fazemos depois do combate? Mais guerra ou algo melhor?”.
Assim, Duda resolveu registrar o momento do atentado artisticamente, dando a ele suas impressões pessoais e trazendo questionamentos dos quais o mais forte é a proposta de repensar a inércia, o conformismo e o papel das pessoas frente a questões globais, mas de maneira local. Nasceu, então, em 2002, o “Beauty for Ashes”, uma pintura inspirada em Guernica que retratou o episódio de 11 de setembro e também o vídeo “Follow my Voice” (Siga minha voz), um depoimento de um dos sobreviventes que, ao entrar no prédio, se percebeu em meio ao ataque e deitou no chão para se proteger até ouvir uma voz que o orientou a escapar do edifício.
Devido ao sucesso, o projeto ganhou desdobramentos que passaram por vários países como China, Porto Rico, Estados Unidos, Espanha e Índia e incorporou outros pontos de vista e novas idéias, como o Manifesto do Pijama, quando os participantes vestem com esse traje para representar a falta de atitude em relação a injustiças econômicas, sociais e políticas. “Tirei o foco do atentado da minha relação pessoal e passei à expressão coletiva. Estabeleci um diálogo entre o papel do ser humano e a cultura porque acredito que a arte catalisa a educação”, conta Duda.
Vitória foi a primeira cidade brasileira a receber o “Beauty for Ashes” expresso nesse conceito de coletividade que chega a São Paulo em 2010. Duda irá selecionar jovens com capacitação plástica, em parceria com a Unesp – Universidade Estadual Paulista para confeccionar um mural que irá representar o pensamento local em relação a algum tema global, ainda não definido. O artista já retratou temas como paz mundial e mudanças climáticas.
Workshops e palestras vão preceder o início das atividades, assim como o processo criativo e as pesquisas que acontecem nas ruas e pela internet, fundamentais para a concepção do que será retratado. Em São Paulo, o projeto é realizado em parceria com o SESC, onde a exposição será exibida.
Outra iniciativa que virá para o Brasil e acontecerá simultaneamente é o Manifesto do Pijama, em que os participantes devidamente caracterizados irão interagir com as pessoas que passeiam pelas ruas da cidade, propondo reflexões sobre temas em voga. Essa e as outras experiências do projeto serão compiladas e apresentadas em um livro que deve ser publicado daqui a cinco anos, destinando um capítulo a contar como cada país compreendeu o global, de maneira local. No momento, o artista se prepara para lançar pelo Jersey City Museum, ainda neste ano, "Deconstructing Beauty for Ashes" que reúne duas entrevistas: uma com Duda e outra com seu orientador, Carlos Hernández, que escreve sobre o futuro da educação e o papel das artes como veículo de reflexão.
De acordo com Hernández, que também é presidente da Universidade de Nova Jersey, as torres gêmeas são apenas o ponto de partida do trabalho. “No atentado morreram 3200 pessoas. No mesmo dia, morreram de fome, no mundo, 13 mil jovens. São muitas as tragédias e devemos repensá-las todas, não apenas as vítimas do WTC, como o início de um ciclo”.
*Duda Penteado
*Follow my voice
Localizado no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor deveria usar um colete à prova de balas. Pensando nisso e com a clara intenção de provocar seu público, os jovens de Vitória que participaram da criação do mural do projeto “Beauty for Ashes” (Das Cinzas à Beleza), idealizado por Duda Penteado, não apenas imaginaram essa figura como a inseriram como elemento gráfico em uma obra de arte. Trata-se de um painel feito por muitas mãos a partir da reflexão sobre a agressividade do ser humano diante dos problemas modernos, resultado do trabalho desenvolvido sob a orientação do artista, quando foi trazido ao Brasil pela primeira vez, em 2007.
Tudo começou quando o artista plástico, radicado em Nova York há dez anos, assistiu, de seu ateliê, ao ataque do World Trade Center que levou as torres gêmeas à ruína, em 11 de setembro de 2001. “Achei que era o início da terceira guerra mundial e repensei sobre qual seria minha contribuição para a Humanidade. A cena me lembrou Guernica, de Picasso, que ilustra a guerra da Espanha, e mudei minhas perspectivas. O que fazemos depois do combate? Mais guerra ou algo melhor?”.
Assim, Duda resolveu registrar o momento do atentado artisticamente, dando a ele suas impressões pessoais e trazendo questionamentos dos quais o mais forte é a proposta de repensar a inércia, o conformismo e o papel das pessoas frente a questões globais, mas de maneira local. Nasceu, então, em 2002, o “Beauty for Ashes”, uma pintura inspirada em Guernica que retratou o episódio de 11 de setembro e também o vídeo “Follow my Voice” (Siga minha voz), um depoimento de um dos sobreviventes que, ao entrar no prédio, se percebeu em meio ao ataque e deitou no chão para se proteger até ouvir uma voz que o orientou a escapar do edifício.
Devido ao sucesso, o projeto ganhou desdobramentos que passaram por vários países como China, Porto Rico, Estados Unidos, Espanha e Índia e incorporou outros pontos de vista e novas idéias, como o Manifesto do Pijama, quando os participantes vestem com esse traje para representar a falta de atitude em relação a injustiças econômicas, sociais e políticas. “Tirei o foco do atentado da minha relação pessoal e passei à expressão coletiva. Estabeleci um diálogo entre o papel do ser humano e a cultura porque acredito que a arte catalisa a educação”, conta Duda.
Vitória foi a primeira cidade brasileira a receber o “Beauty for Ashes” expresso nesse conceito de coletividade que chega a São Paulo em 2010. Duda irá selecionar jovens com capacitação plástica, em parceria com a Unesp – Universidade Estadual Paulista para confeccionar um mural que irá representar o pensamento local em relação a algum tema global, ainda não definido. O artista já retratou temas como paz mundial e mudanças climáticas.
Workshops e palestras vão preceder o início das atividades, assim como o processo criativo e as pesquisas que acontecem nas ruas e pela internet, fundamentais para a concepção do que será retratado. Em São Paulo, o projeto é realizado em parceria com o SESC, onde a exposição será exibida.
Outra iniciativa que virá para o Brasil e acontecerá simultaneamente é o Manifesto do Pijama, em que os participantes devidamente caracterizados irão interagir com as pessoas que passeiam pelas ruas da cidade, propondo reflexões sobre temas em voga. Essa e as outras experiências do projeto serão compiladas e apresentadas em um livro que deve ser publicado daqui a cinco anos, destinando um capítulo a contar como cada país compreendeu o global, de maneira local. No momento, o artista se prepara para lançar pelo Jersey City Museum, ainda neste ano, "Deconstructing Beauty for Ashes" que reúne duas entrevistas: uma com Duda e outra com seu orientador, Carlos Hernández, que escreve sobre o futuro da educação e o papel das artes como veículo de reflexão.
De acordo com Hernández, que também é presidente da Universidade de Nova Jersey, as torres gêmeas são apenas o ponto de partida do trabalho. “No atentado morreram 3200 pessoas. No mesmo dia, morreram de fome, no mundo, 13 mil jovens. São muitas as tragédias e devemos repensá-las todas, não apenas as vítimas do WTC, como o início de um ciclo”.
*Duda Penteado
*Follow my voice