Philips
A disseminação de boas práticas
A Philips realiza auditoria em seus fornecedores, aponta os ajustes necessários e tenta envolver toda a cadeia produtiva no esforço em prol de negócios sustentáveis
Por Rafael Bresciani
Guia Exame de Sustentabilidade 2008
Em janeiro de 2007, a fabricante paulista de embalagens Nilpel passou por uma vistoria inédita em sua história. Durante três dias, auditores fizeram um pente-fino para avaliar não apenas questões financeiras mas também socioambientais. A investigação mostrou que a Nilpel cometia uma infração grave: não estava respeitando o limite legal de horas extras trabalhadas nem o descanso semanal dos funcionários. Para eliminar a sobrecarga de trabalho, a empresa decidiu adotar medidas que vinha postergando havia algum tempo, como a aquisição de novos maquinários e a ampliação de seu quadro de funcionários em 10%, passando a contar com 640 empregados. A investigação foi encomendada pela subsidiária brasileira da Philips, empresa da qual a Nilpel é fornecedora. Depois de feitas as correções, a Nilpel foi aprovada em uma nova auditoria, realizada em fevereiro deste ano. No decorrer do processo, a companhia incluiu questões relativas à sustentabilidade nos contratos com seus próprios fornecedores. “Uma empresa não vai se manter no mercado se não incorporar a seu cotidiano a sustentabilidade”, diz Anderson Dalcin, analista de relações institucionais da Nilpel.
A investigação na fabricante de embalagens faz parte de um projeto iniciado pela Philips em 2003, quando a matriz na Holanda traçou a meta global de fazer auditoria de processos de seus principais fornecedores nos 150 países onde atua. Os fiscais visitam as empresas e avaliam 83 itens relacionados a condições de trabalho, saúde e segurança e questões ambientais. Os problemas detectados são classificados em três grupos: tolerância zero, tolerância limitada e menor risco. Os prazos para a correção dos problemas são rigorosos: um mês para os itens de tolerância zero (como o uso de trabalho infantil), três meses para os de tolerância limitada (como não dispor de equipamentos de proteção adequados para os trabalhadores) e nove meses para os demais (como a ausência de kits de primeiros-socorros para os funcionários). “O objetivo é estabelecer um alinhamento com os fornecedores, de modo que todos tenham a mesma estratégia em relação à sustentabilidade”, diz Daurio Speranzini, vice-presidente de sustentabilidade da Philips para a América Latina. Até agora, a Philips auditou 98% de seus principais fornecedores, incluindo 67 empresas no Brasil.
O envolvimento dos fornecedores em sua estratégia de sustentabilidade é uma iniciativa que está longe de terminar. Para 2009, a companhia criou um projeto piloto de treinamento com 15 cursos de temas variados, um deles ligado a sustentabilidade. O curso será oferecido a funcionários (embora não seja obrigatório, quem não fizer perderá pontos em sua avaliação de desempenho), fornecedores e até mesmo clientes. “Queremos difundir nosso conhecimento em toda a cadeia”, diz Speranzini. Trata-se de um conhecimento que vem sendo acumulado, sobretudo nas últimas duas décadas, quando a Philips começou a estabelecer metas de redução de consumo de água e energia em suas fábricas. Mais recentemente, em 1998, a companhia lançou um programa mundial para desenvolver uma linha de produtos mais “limpos”. Hoje, esses produtos que levam uma espécie de selo verde representam 20% das vendas mundiais da Philips. “Aqui, sustentabilidade não é algo que corre paralelo. É parte integrante da própria forma de fazer negócio”, diz Marcos Magalhães, presidente do conselho consultivo da companhia.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"A Philips foi uma das pioneiras a cobrar, de verdade, uma postura dos fornecedores em relação a ações de sustentabilidade. Porque pedir para que o parceiro assine um protocolo é uma coisa, mas fazer um sistema de cobrança e ter certeza de que ele está adotando as medidas propostas é outra bem diferente"
Rubiana Enz Vitor, gerente da SGS, empresa de consultoria, inspeção e certificação
Em janeiro de 2007, a fabricante paulista de embalagens Nilpel passou por uma vistoria inédita em sua história. Durante três dias, auditores fizeram um pente-fino para avaliar não apenas questões financeiras mas também socioambientais. A investigação mostrou que a Nilpel cometia uma infração grave: não estava respeitando o limite legal de horas extras trabalhadas nem o descanso semanal dos funcionários. Para eliminar a sobrecarga de trabalho, a empresa decidiu adotar medidas que vinha postergando havia algum tempo, como a aquisição de novos maquinários e a ampliação de seu quadro de funcionários em 10%, passando a contar com 640 empregados. A investigação foi encomendada pela subsidiária brasileira da Philips, empresa da qual a Nilpel é fornecedora. Depois de feitas as correções, a Nilpel foi aprovada em uma nova auditoria, realizada em fevereiro deste ano. No decorrer do processo, a companhia incluiu questões relativas à sustentabilidade nos contratos com seus próprios fornecedores. “Uma empresa não vai se manter no mercado se não incorporar a seu cotidiano a sustentabilidade”, diz Anderson Dalcin, analista de relações institucionais da Nilpel.
A investigação na fabricante de embalagens faz parte de um projeto iniciado pela Philips em 2003, quando a matriz na Holanda traçou a meta global de fazer auditoria de processos de seus principais fornecedores nos 150 países onde atua. Os fiscais visitam as empresas e avaliam 83 itens relacionados a condições de trabalho, saúde e segurança e questões ambientais. Os problemas detectados são classificados em três grupos: tolerância zero, tolerância limitada e menor risco. Os prazos para a correção dos problemas são rigorosos: um mês para os itens de tolerância zero (como o uso de trabalho infantil), três meses para os de tolerância limitada (como não dispor de equipamentos de proteção adequados para os trabalhadores) e nove meses para os demais (como a ausência de kits de primeiros-socorros para os funcionários). “O objetivo é estabelecer um alinhamento com os fornecedores, de modo que todos tenham a mesma estratégia em relação à sustentabilidade”, diz Daurio Speranzini, vice-presidente de sustentabilidade da Philips para a América Latina. Até agora, a Philips auditou 98% de seus principais fornecedores, incluindo 67 empresas no Brasil.
O envolvimento dos fornecedores em sua estratégia de sustentabilidade é uma iniciativa que está longe de terminar. Para 2009, a companhia criou um projeto piloto de treinamento com 15 cursos de temas variados, um deles ligado a sustentabilidade. O curso será oferecido a funcionários (embora não seja obrigatório, quem não fizer perderá pontos em sua avaliação de desempenho), fornecedores e até mesmo clientes. “Queremos difundir nosso conhecimento em toda a cadeia”, diz Speranzini. Trata-se de um conhecimento que vem sendo acumulado, sobretudo nas últimas duas décadas, quando a Philips começou a estabelecer metas de redução de consumo de água e energia em suas fábricas. Mais recentemente, em 1998, a companhia lançou um programa mundial para desenvolver uma linha de produtos mais “limpos”. Hoje, esses produtos que levam uma espécie de selo verde representam 20% das vendas mundiais da Philips. “Aqui, sustentabilidade não é algo que corre paralelo. É parte integrante da própria forma de fazer negócio”, diz Marcos Magalhães, presidente do conselho consultivo da companhia.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"A Philips foi uma das pioneiras a cobrar, de verdade, uma postura dos fornecedores em relação a ações de sustentabilidade. Porque pedir para que o parceiro assine um protocolo é uma coisa, mas fazer um sistema de cobrança e ter certeza de que ele está adotando as medidas propostas é outra bem diferente"
Rubiana Enz Vitor, gerente da SGS, empresa de consultoria, inspeção e certificação