Promon
Um conceito que está nos detalhes
Do uso de papel reciclado nos escritórios a um programa para orientar a alimentação dos operários nas obras, a Promon mostra que a preocupação com a sustentabilidade faz parte do dia-a-dia da empresa
Por Denise Ramiro
Guia Exame de Sustentabilidade 2008
O presidente da Promon, Luiz Ernesto Gemignani, tem uma definição peculiar para sustentabilidade. Para ele, esse conceito é sinônimo de “olhar o todo”. Na empresa de engenharia que Gemignani comanda, especializada no desenvolvimento de projetos e soluções de grandes obras de infra-estrutura, a sustentabilidade mora nos detalhes e faz parte do dia-a-dia dos cerca de 1 000 funcionários — desde a oferta de vans e ônibus fretados para estimular os empregados a deixar o carro em casa até os cuidados com aspectos socioambientais nos grandes projetos de engenharia. Trata-se de uma preocupação antiga na companhia. Nos anos 70, a Promon elaborou a Carta de Campos do Jordão, um documento que já previa conceitos de sustentabilidade e que dita os rumos do grupo até hoje. Um dos itens da carta define a Promon como uma empresa que tem o objetivo de criar condições para a realização profissional e humana dos funcionários. A maior expressão nesse sentido é o modelo acionário, que permite a todos os funcionários ter participação no capital da companhia e escolher seus principais dirigentes.
Nos últimos cinco anos, porém, o conceito de sustentabilidade ganhou ênfase dentro da Promon — e é nos canteiros de obras que boa parte das novas ações foi implementada. É o caso do programa Prato Limpo, criado em 2002. Em palestras para os operários, a empresa os orienta a se alimentar corretamente, não só no trabalho mas também em casa, mostrando os alimentos que fazem bem à saúde e aqueles que devem ser evitados. O programa ensina também a evitar o desperdício, estimulando o funcionário a colocar no prato apenas o que vai comer — daí o nome da campanha. Até hoje, mais de 600 operários já participaram.
Em todos os seus projetos de engenharia, a Promon promove a coleta seletiva de resíduos sólidos e cuida para que o material coletado — cerca de 8 toneladas por mês — tenha a devida destinação, sendo entregue a empresas ou cooperativas recicladoras locais. Em algumas áreas de construção, são instaladas também caixas de captação de água pluvial com capacidade para 10 000 litros cada uma. A água captada é utilizada em descargas sanitárias e para regar jardins, por exemplo. “O conceito de sustentabilidade da empresa visa olhar de forma integrada o lado social e ambiental dentro do econômico”, diz Ivan Cozaciuc, diretor de sistemas de gestão da Promon.
Em alguns casos, o próprio cliente prevê no contrato ações de sustentabilidade. Na obra que realiza desde o ano passado para a Petrobras na Refinaria do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, a Promon já entrou no canteiro com várias metas a cumprir: redução de gases tóxicos, reúso da água de chuva e restrição a fornecedores que não trabalham no regime da CLT. São práticas que fazem parte da rotina da Promon, que também monitora de perto a atuação dos cerca de 3 000 fornecedores com os quais trabalha, exigindo que eles também adotem práticas sustentáveis nos negócios. Trata-se de uma trajetória ainda não concluída, como admitem os próprios executivos da empresa. “Na área de engenharia, o máximo da sustentabilidade social seria nenhum trabalhador fazer hora extra. No caso ambiental, a maior conquista seria reutilizar todas as sobras de material de uma construção”, diz Cícero Facciolla, diretor de projetos da Promon.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"As empresas que já têm modelos de sustentabilidade consistentes, como é o caso da Promon, ajudam a difundir esse conceito entre seus fornecedores. Essas empresas costumam ser as mais sólidas. Nem uma crise da magnitude como a que estamos vivendo agora é capaz de desmontar tudo o que foi construído"
Alexandre Heinermann, sócio-diretor da consultoria KPMG
O presidente da Promon, Luiz Ernesto Gemignani, tem uma definição peculiar para sustentabilidade. Para ele, esse conceito é sinônimo de “olhar o todo”. Na empresa de engenharia que Gemignani comanda, especializada no desenvolvimento de projetos e soluções de grandes obras de infra-estrutura, a sustentabilidade mora nos detalhes e faz parte do dia-a-dia dos cerca de 1 000 funcionários — desde a oferta de vans e ônibus fretados para estimular os empregados a deixar o carro em casa até os cuidados com aspectos socioambientais nos grandes projetos de engenharia. Trata-se de uma preocupação antiga na companhia. Nos anos 70, a Promon elaborou a Carta de Campos do Jordão, um documento que já previa conceitos de sustentabilidade e que dita os rumos do grupo até hoje. Um dos itens da carta define a Promon como uma empresa que tem o objetivo de criar condições para a realização profissional e humana dos funcionários. A maior expressão nesse sentido é o modelo acionário, que permite a todos os funcionários ter participação no capital da companhia e escolher seus principais dirigentes.
Nos últimos cinco anos, porém, o conceito de sustentabilidade ganhou ênfase dentro da Promon — e é nos canteiros de obras que boa parte das novas ações foi implementada. É o caso do programa Prato Limpo, criado em 2002. Em palestras para os operários, a empresa os orienta a se alimentar corretamente, não só no trabalho mas também em casa, mostrando os alimentos que fazem bem à saúde e aqueles que devem ser evitados. O programa ensina também a evitar o desperdício, estimulando o funcionário a colocar no prato apenas o que vai comer — daí o nome da campanha. Até hoje, mais de 600 operários já participaram.
Em todos os seus projetos de engenharia, a Promon promove a coleta seletiva de resíduos sólidos e cuida para que o material coletado — cerca de 8 toneladas por mês — tenha a devida destinação, sendo entregue a empresas ou cooperativas recicladoras locais. Em algumas áreas de construção, são instaladas também caixas de captação de água pluvial com capacidade para 10 000 litros cada uma. A água captada é utilizada em descargas sanitárias e para regar jardins, por exemplo. “O conceito de sustentabilidade da empresa visa olhar de forma integrada o lado social e ambiental dentro do econômico”, diz Ivan Cozaciuc, diretor de sistemas de gestão da Promon.
Em alguns casos, o próprio cliente prevê no contrato ações de sustentabilidade. Na obra que realiza desde o ano passado para a Petrobras na Refinaria do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, a Promon já entrou no canteiro com várias metas a cumprir: redução de gases tóxicos, reúso da água de chuva e restrição a fornecedores que não trabalham no regime da CLT. São práticas que fazem parte da rotina da Promon, que também monitora de perto a atuação dos cerca de 3 000 fornecedores com os quais trabalha, exigindo que eles também adotem práticas sustentáveis nos negócios. Trata-se de uma trajetória ainda não concluída, como admitem os próprios executivos da empresa. “Na área de engenharia, o máximo da sustentabilidade social seria nenhum trabalhador fazer hora extra. No caso ambiental, a maior conquista seria reutilizar todas as sobras de material de uma construção”, diz Cícero Facciolla, diretor de projetos da Promon.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"As empresas que já têm modelos de sustentabilidade consistentes, como é o caso da Promon, ajudam a difundir esse conceito entre seus fornecedores. Essas empresas costumam ser as mais sólidas. Nem uma crise da magnitude como a que estamos vivendo agora é capaz de desmontar tudo o que foi construído"
Alexandre Heinermann, sócio-diretor da consultoria KPMG