Suzano
A luta pelo mercado global
A Suzano, maior empresa de papel e celulose do país, ganha espaço no mercado global ao perseguir a expansão de seus negócios com equilíbrio social e ambiental
Por Roseli Loturco
Guia Exame de Sustentabilidade 2008
Nos últimos quatro anos, a Suzano Papel e Celulose, maior empresa do setor, dobrou sua capacidade de produção para o atual 1,9 milhão de toneladas por ano. As vendas anuais cresceram de 2,6 bilhões para 3,4 bilhões de reais no mesmo período. Segundo Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano, o salto se deve a um planejamento que alia as metas de expansão dos negócios com equilíbrio ambiental e social. “Hoje, isso é fundamental para competir no mercado global”, diz ele. Os cada vez mais exigentes consumidores de papel e celulose de mercados como o europeu rejeitam empresas que não possuem florestas certificadas por entidades como o Forest Stewardship Council (FSC), o selo verde hoje mais reconhecido em todo o mundo. A Suzano obteve essa certificação em 2006. Hoje, são cerca de 230 000 hectares de floresta plantada e 100% certificada — o equivalente a 75% das florestas totais da empresa.
O próximo passo é impor o mesmo padrão a toda a cadeia de fornecedores — 1 200 pequenos e médios produtores de eucalipto, que terão de atestar como interagem com o meio ambiente, os funcionários e as comunidades vizinhas. Cerca de 500 deles, no sul da Bahia, já estão passando por uma triagem e devem receber a primeira auditoria com o selo verde entre novembro deste ano e janeiro de 2009. Em paralelo, a empresa também está estendendo a meta a outra ponta da cadeia — os clientes. A medida já começou a envolver gráficas, que passaram a prestar contas de sua atuação trabalhista e da utilização de resíduos. Até agora foram certificadas 25 gráficas.
O uso de energia renovável está entre os pilares da sustentabilidade da Suzano. Suas cinco fábricas já são auto-suficientes na produção de energia — com exceção da unidade de Suzano, no interior de São Paulo, que gera metade da energia necessária (e depende de uma usina hidrelétrica construída em consórcio entre a própria Suzano, a Vale, a Votorantim e a Cemig para suprir suas necessidades). A fábrica de Mucuri, no sul da Bahia, garante 100% de fonte renovável de energia por meio da queima de licor negro — um resíduo tóxico do cozimento da madeira — e da biomassa que resta do processo de produção de papel. Outro ganho diz respeito a emissões de gás carbônico. Atualmente, a Suzano tem 3 milhões de toneladas em créditos de carbono em estoque para comercializar no mercado internacional, já que absorve quase quatro vezes mais do que emite. A empresa começou o processo de certificação desses créditos pelas regras do mercado voluntário da bolsa de Chicago. Até 2010, a companhia pretende acumular 5 milhões de toneladas em crédito — o equivalente a cerca de 25 milhões de dólares, segundo a cotação atual nos Estados Unidos.
Para garantir o ciclo econômico sustentável, a Suzano já estabeleceu metas até 2015. A proposta é mais que dobrar as vendas — numa expansão que custará 6,6 bilhões de dólares. “Vamos ampliar a produção de celulose em torno de 150%”, diz Maciel. Para alcançar o resultado, a empresa pretende inaugurar três linhas de produção e ampliar as fábricas de Mucuri e de Suzano. Apesar da crise financeira internacional, segundo Maciel os planos estão mantidos — ainda que os reflexos da crise já comecem a afetar a Suzano. O primeiro sinal se deu na metade de outubro, quando a Suzano comunicou a redução temporária na produção de no mínimo 30 000 toneladas de celulose na fábrica de Mucuri. A redução da jornada de trabalho deverá durar pelo menos três meses.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"Além de seguir padrões ambientais rigorosos, a Suzano está levando as mesmas práticas a seus clientes e fornecedores. Mas ainda falta transparência em seu relatório em relação a temas importantes, como o uso de produtos químicos na fabricação de celulose"
Ricardo Valente, consultor de sustentabilidade da KeyAssociados
Nos últimos quatro anos, a Suzano Papel e Celulose, maior empresa do setor, dobrou sua capacidade de produção para o atual 1,9 milhão de toneladas por ano. As vendas anuais cresceram de 2,6 bilhões para 3,4 bilhões de reais no mesmo período. Segundo Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano, o salto se deve a um planejamento que alia as metas de expansão dos negócios com equilíbrio ambiental e social. “Hoje, isso é fundamental para competir no mercado global”, diz ele. Os cada vez mais exigentes consumidores de papel e celulose de mercados como o europeu rejeitam empresas que não possuem florestas certificadas por entidades como o Forest Stewardship Council (FSC), o selo verde hoje mais reconhecido em todo o mundo. A Suzano obteve essa certificação em 2006. Hoje, são cerca de 230 000 hectares de floresta plantada e 100% certificada — o equivalente a 75% das florestas totais da empresa.
O próximo passo é impor o mesmo padrão a toda a cadeia de fornecedores — 1 200 pequenos e médios produtores de eucalipto, que terão de atestar como interagem com o meio ambiente, os funcionários e as comunidades vizinhas. Cerca de 500 deles, no sul da Bahia, já estão passando por uma triagem e devem receber a primeira auditoria com o selo verde entre novembro deste ano e janeiro de 2009. Em paralelo, a empresa também está estendendo a meta a outra ponta da cadeia — os clientes. A medida já começou a envolver gráficas, que passaram a prestar contas de sua atuação trabalhista e da utilização de resíduos. Até agora foram certificadas 25 gráficas.
O uso de energia renovável está entre os pilares da sustentabilidade da Suzano. Suas cinco fábricas já são auto-suficientes na produção de energia — com exceção da unidade de Suzano, no interior de São Paulo, que gera metade da energia necessária (e depende de uma usina hidrelétrica construída em consórcio entre a própria Suzano, a Vale, a Votorantim e a Cemig para suprir suas necessidades). A fábrica de Mucuri, no sul da Bahia, garante 100% de fonte renovável de energia por meio da queima de licor negro — um resíduo tóxico do cozimento da madeira — e da biomassa que resta do processo de produção de papel. Outro ganho diz respeito a emissões de gás carbônico. Atualmente, a Suzano tem 3 milhões de toneladas em créditos de carbono em estoque para comercializar no mercado internacional, já que absorve quase quatro vezes mais do que emite. A empresa começou o processo de certificação desses créditos pelas regras do mercado voluntário da bolsa de Chicago. Até 2010, a companhia pretende acumular 5 milhões de toneladas em crédito — o equivalente a cerca de 25 milhões de dólares, segundo a cotação atual nos Estados Unidos.
Para garantir o ciclo econômico sustentável, a Suzano já estabeleceu metas até 2015. A proposta é mais que dobrar as vendas — numa expansão que custará 6,6 bilhões de dólares. “Vamos ampliar a produção de celulose em torno de 150%”, diz Maciel. Para alcançar o resultado, a empresa pretende inaugurar três linhas de produção e ampliar as fábricas de Mucuri e de Suzano. Apesar da crise financeira internacional, segundo Maciel os planos estão mantidos — ainda que os reflexos da crise já comecem a afetar a Suzano. O primeiro sinal se deu na metade de outubro, quando a Suzano comunicou a redução temporária na produção de no mínimo 30 000 toneladas de celulose na fábrica de Mucuri. A redução da jornada de trabalho deverá durar pelo menos três meses.
OPINIÃO DO ESPECIALISTA
"Além de seguir padrões ambientais rigorosos, a Suzano está levando as mesmas práticas a seus clientes e fornecedores. Mas ainda falta transparência em seu relatório em relação a temas importantes, como o uso de produtos químicos na fabricação de celulose"
Ricardo Valente, consultor de sustentabilidade da KeyAssociados