floresta de pé
Dinheiro para quem não cortar árvores
O pagamento por serviços ambientais prestados, especialmente pela preservação de florestas tropicais, é um dos mecanismos que podem ajudar a controlar o aquecimento global. O tema será amplamente debatido em Copenhague, no final do ano, na 15ª Conferência das Partes, da ONU, e muitos brasileiros podem ser beneficiados com a medida, não apenas com recursos financeiros, mas com a abertura para novos tipos de atividades econômicas na floresta
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 30/09/2009
A preservação das florestas é uma das preocupações de todos os países do mundo para conter o aquecimento global. Grandes estoques de carbono estão contidos nas árvores que restaram no planeta e destruí-las, além de todos os prejuízos ambientais, ainda aceleraria muito o aumento de temperatura do planeta.
Por isso, o acordo climático global, que será discutido em Copenhague, no final do ano, durante a 15ª Conferência das Partes, da ONU, deve conter mecanismos como o REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Devastação Florestal, que prevê recursos financeiros para países e pessoas que preservarem suas florestas.
A notícia é boa não apenas para os vinte milhões de brasileiros que vivem na Amazônia e poderão deixar de priorizar o desmatamento, mas para todos os que protegem suas florestas. “O mecanismo vai ser muito importante também para as pessoas que preservam, por exemplo, a Serra da Mantiqueira, que abastece São Paulo com água, ou da região da Cantareira. É bom que as pessoas da cidade saibam que o sistema vai pagar para que a água continue fluindo e chegue até elas”, diz Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente. Ele diz que há um projeto sendo desenhado e discutido no Ministério da Fazenda que pretende remunerar “todo e qualquer produtor que cuide de área florestal e mantenha a floresta”.
Para Beto Veríssimo, pesquisador do Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, os mecanismos de pagamento por serviços ambientais devem melhorar muito a situação dos povos da Amazônia. “Vai ser importante o impacto na mudança de mentalidade em relação ao desmatamento associado à ideia de desenvolvimento, embora ela já tenha sido claramente contestada”.
Resta apenas garantir que os recursos cheguem, de fato, a quem conserva a floresta. Veríssimo diz que ainda há muitas dúvidas sobre como isso pode ser feito, mas sugere que o repasse do dinheiro seja feito de forma direta, por meio de um cadastro e um cartão eletrônico, de acordo com a quantidade de hectares preservados por cada família. “As áreas seriam monitoradas de maneira independente e de qualquer lugar do mundo seria possível saber se as florestas estão mesmo sendo conservadas”.
O pesquisador calcula que seriam pagos entre R$ 10 e R$ 20 por hectare/ano. Pode parecer pouco, mas um seringueiro responsável por 300 hectares, o que não é muito quando se fala de Amazônia, receberia R$3 mil por ano. “Se dividirmos esse valor pelos meses do ano dá mais do que o Bolsa Família. Para essas pessoas é recurso importante”, diz Veríssimo.
Para João Talochi, representante do Greenpeace, a implementação do REDD traria uma mudança radical para o desenvolvimento da Amazônia e viabilizaria o desmatamento zero. A partir do momento em que a floresta em pé passa a valer mais do que sua derrubada, Talochi ainda vê possibilidades de crescimento das pesquisas de novos fármacos que utilizem os produtos não madeireiros da floresta. “O filho do pequeno produtor, que hoje corta árvores, pode se tornar um pesquisador da biodiversidade ou do clima da região e isso muda radicalmente o estilo de vida desses povos. Ou os criadores de gado, que queimam e desmatam a Amazônia, podem aprender a extrair a castanha, o açaí, o cupuaçu e tantos outros e investir em uma economia mais sustentável. Eles podem, inclusive, processar e empacotar esses produtos, sem precisar de tecnologias muito caras, de onde tirariam mais renda e teriam uma vida mais digna”.
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Por isso, o acordo climático global, que será discutido em Copenhague, no final do ano, durante a 15ª Conferência das Partes, da ONU, deve conter mecanismos como o REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Devastação Florestal, que prevê recursos financeiros para países e pessoas que preservarem suas florestas.
A notícia é boa não apenas para os vinte milhões de brasileiros que vivem na Amazônia e poderão deixar de priorizar o desmatamento, mas para todos os que protegem suas florestas. “O mecanismo vai ser muito importante também para as pessoas que preservam, por exemplo, a Serra da Mantiqueira, que abastece São Paulo com água, ou da região da Cantareira. É bom que as pessoas da cidade saibam que o sistema vai pagar para que a água continue fluindo e chegue até elas”, diz Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente. Ele diz que há um projeto sendo desenhado e discutido no Ministério da Fazenda que pretende remunerar “todo e qualquer produtor que cuide de área florestal e mantenha a floresta”.
Para Beto Veríssimo, pesquisador do Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, os mecanismos de pagamento por serviços ambientais devem melhorar muito a situação dos povos da Amazônia. “Vai ser importante o impacto na mudança de mentalidade em relação ao desmatamento associado à ideia de desenvolvimento, embora ela já tenha sido claramente contestada”.
Resta apenas garantir que os recursos cheguem, de fato, a quem conserva a floresta. Veríssimo diz que ainda há muitas dúvidas sobre como isso pode ser feito, mas sugere que o repasse do dinheiro seja feito de forma direta, por meio de um cadastro e um cartão eletrônico, de acordo com a quantidade de hectares preservados por cada família. “As áreas seriam monitoradas de maneira independente e de qualquer lugar do mundo seria possível saber se as florestas estão mesmo sendo conservadas”.
O pesquisador calcula que seriam pagos entre R$ 10 e R$ 20 por hectare/ano. Pode parecer pouco, mas um seringueiro responsável por 300 hectares, o que não é muito quando se fala de Amazônia, receberia R$3 mil por ano. “Se dividirmos esse valor pelos meses do ano dá mais do que o Bolsa Família. Para essas pessoas é recurso importante”, diz Veríssimo.
Para João Talochi, representante do Greenpeace, a implementação do REDD traria uma mudança radical para o desenvolvimento da Amazônia e viabilizaria o desmatamento zero. A partir do momento em que a floresta em pé passa a valer mais do que sua derrubada, Talochi ainda vê possibilidades de crescimento das pesquisas de novos fármacos que utilizem os produtos não madeireiros da floresta. “O filho do pequeno produtor, que hoje corta árvores, pode se tornar um pesquisador da biodiversidade ou do clima da região e isso muda radicalmente o estilo de vida desses povos. Ou os criadores de gado, que queimam e desmatam a Amazônia, podem aprender a extrair a castanha, o açaí, o cupuaçu e tantos outros e investir em uma economia mais sustentável. Eles podem, inclusive, processar e empacotar esses produtos, sem precisar de tecnologias muito caras, de onde tirariam mais renda e teriam uma vida mais digna”.
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