quem paga a conta
O dilema dos pobres na redução de emissões
Em países ricos e em desenvolvimento, há pessoas que vivem com menos de um dólar por dia e não têm condições de reduzir emissões e arcar com a conta do aquecimento global. A 15ª Conferência das Partes, da ONU, em Copenhague, no final do ano, também vai precisar discutir essa questão
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 30/09/2009
É fato que, para conter o aquecimento global, o mundo vai precisar reduzir emissões de carbono. Também está claro, de acordo com o Mapa do Caminho de Bali, definido da 13ª COP – Conferência das Partes, na Indonésia, em 2007, que os países possuem responsabilidades comuns, porém diferenciadas, nessa redução. Isso quer dizer que quem enviou mais gases de efeito estufa para a atmosfera até agora vai ter que fazer um esforço maior a partir de agora.
De todo modo, é bem provável que, nesta 15ª COP, que acontece em Copenhague, no final deste ano, os países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China tenham que assumir compromissos de reduzir o crescimento de suas emissões, que sejam quantificáveis, reportáveis e verificáveis.
No entanto, nesses países, há pessoas que vivem com menos de um dólar por dia e não teriam a menor condição de diminuir suas emissões de carbono. O economista Ladislau Dowbor conta que 30% da população mundial ainda cozinha com lenha e, apesar de haver muita gente condenando o corte de madeira, essas pessoas não têm condições de ferver a água que dão para as crianças ou preparar seu alimento de outro jeito.
De acordo com o economista, até agora, as propostas da ONU para resolver essas questões são:
- que os países ricos, que já têm condições de converter seus processos produtivos para fontes limpas de energia o façam rapidamente;
- que se considere que todas as pessoas que ganham até 9 mil dólares por ano têm um nível de consumo modesto e, portanto, estariam livres dos controles a serem impostos (leia reportagem: Cidadão pode pagar para conter o aquecimento global) e
- que sejam repensados os mecanismos de patentes e copyright para que a transferência de tecnologias limpas às regiões mais pobres pudesse ocorrer de maneira mais rápida.
Outra questão polêmica deste debate se refere ao discurso de muitos países e pessoas que sempre sonharam em ter certos níveis de consumo e, agora que têm mais poder de compra, serão privadas de certos luxos em função de um problema climático que foi gerado por quem consumiu demasiadamente, anos atrás. “Agora que chegou o meu momento, porque eu não posso? É uma pergunta legítima”, afirma a escritora e jornalista Lia Diskin. “Enquanto continuarmos assinalando que o consumo é glamouroso, é sinônimo de sucesso e inteligência, enquanto continuarmos sustentando, por meio de nossa comunicação midiática formal, que aí está o bom, é lógico que todo mundo vai querer manter o sonho por esse estilo de vida”. Para Lia, a partir do momento em que desmobilizarmos a lógica do individualismo e do consumismo é que poderemos começar a reverter esse quadro.
Dowbor diz que um reequilíbrio de renda no planeta é necessário e urgente. Ele faz uma conta simples: dividindo o PIB mundial de 60 trilhões de dólares pela população do planeta, cada família teria uma renda mensal de, aproximadamente, R$ 5.500, ou seja, seria possível que todo mundo vivesse de maneira digna, em vez de termos dois terços dos habitantes da Terra completamente excluídos do sistema.
Um terceiro fator importante é que, de acordo com as pesquisas científicas realizadas até agora, os países pobres são os mais vulneráveis e, portanto, os que mais sofrerão com os efeitos das mudanças climáticas que, inevitavelmente, vão ocorrer nos próximos anos. Entre os tópicos que serão debatidos na 15ª COP estão os meios que os países ricos devem utilizar para ajudar os mais pobres – que são os menos responsáveis pelo aquecimento global – a se adaptarem a esse novo contexto climático e se protegerem.
Ainda não se sabe como os mecanismos de transferência de recursos financeiros e tecnológicos vão funcionar, mas é possível que até o Brasil seja beneficiado com os fundos de adaptação, que seriam destinados às regiões que já vem sendo atingidas pelas mudanças do clima, como o estado de Santa Catarina.
Leia também:
COP-15: o que pode mudar na sua vida
Novos meios de transporte para reduzir emissões
Mais energia limpa, menos carbono
Produzir e comprar em função do carbono
Dinheiro para quem não cortar árvores
Um novo ideal para as gerações atuais
É fato que, para conter o aquecimento global, o mundo vai precisar reduzir emissões de carbono. Também está claro, de acordo com o Mapa do Caminho de Bali, definido da 13ª COP – Conferência das Partes, na Indonésia, em 2007, que os países possuem responsabilidades comuns, porém diferenciadas, nessa redução. Isso quer dizer que quem enviou mais gases de efeito estufa para a atmosfera até agora vai ter que fazer um esforço maior a partir de agora.
De todo modo, é bem provável que, nesta 15ª COP, que acontece em Copenhague, no final deste ano, os países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e China tenham que assumir compromissos de reduzir o crescimento de suas emissões, que sejam quantificáveis, reportáveis e verificáveis.
No entanto, nesses países, há pessoas que vivem com menos de um dólar por dia e não teriam a menor condição de diminuir suas emissões de carbono. O economista Ladislau Dowbor conta que 30% da população mundial ainda cozinha com lenha e, apesar de haver muita gente condenando o corte de madeira, essas pessoas não têm condições de ferver a água que dão para as crianças ou preparar seu alimento de outro jeito.
De acordo com o economista, até agora, as propostas da ONU para resolver essas questões são:
- que os países ricos, que já têm condições de converter seus processos produtivos para fontes limpas de energia o façam rapidamente;
- que se considere que todas as pessoas que ganham até 9 mil dólares por ano têm um nível de consumo modesto e, portanto, estariam livres dos controles a serem impostos (leia reportagem: Cidadão pode pagar para conter o aquecimento global) e
- que sejam repensados os mecanismos de patentes e copyright para que a transferência de tecnologias limpas às regiões mais pobres pudesse ocorrer de maneira mais rápida.
Outra questão polêmica deste debate se refere ao discurso de muitos países e pessoas que sempre sonharam em ter certos níveis de consumo e, agora que têm mais poder de compra, serão privadas de certos luxos em função de um problema climático que foi gerado por quem consumiu demasiadamente, anos atrás. “Agora que chegou o meu momento, porque eu não posso? É uma pergunta legítima”, afirma a escritora e jornalista Lia Diskin. “Enquanto continuarmos assinalando que o consumo é glamouroso, é sinônimo de sucesso e inteligência, enquanto continuarmos sustentando, por meio de nossa comunicação midiática formal, que aí está o bom, é lógico que todo mundo vai querer manter o sonho por esse estilo de vida”. Para Lia, a partir do momento em que desmobilizarmos a lógica do individualismo e do consumismo é que poderemos começar a reverter esse quadro.
Dowbor diz que um reequilíbrio de renda no planeta é necessário e urgente. Ele faz uma conta simples: dividindo o PIB mundial de 60 trilhões de dólares pela população do planeta, cada família teria uma renda mensal de, aproximadamente, R$ 5.500, ou seja, seria possível que todo mundo vivesse de maneira digna, em vez de termos dois terços dos habitantes da Terra completamente excluídos do sistema.
Um terceiro fator importante é que, de acordo com as pesquisas científicas realizadas até agora, os países pobres são os mais vulneráveis e, portanto, os que mais sofrerão com os efeitos das mudanças climáticas que, inevitavelmente, vão ocorrer nos próximos anos. Entre os tópicos que serão debatidos na 15ª COP estão os meios que os países ricos devem utilizar para ajudar os mais pobres – que são os menos responsáveis pelo aquecimento global – a se adaptarem a esse novo contexto climático e se protegerem.
Ainda não se sabe como os mecanismos de transferência de recursos financeiros e tecnológicos vão funcionar, mas é possível que até o Brasil seja beneficiado com os fundos de adaptação, que seriam destinados às regiões que já vem sendo atingidas pelas mudanças do clima, como o estado de Santa Catarina.
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Novos meios de transporte para reduzir emissões
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