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Europa dá adeus às lâmpadas incandescentes
Em mais um passo para reduzir o aquecimento global, países da Comunidade Européia implantam uma nova legislação sobre o uso das lâmpadas elétricas. Gradualmente os modelos incandescentes começam a ser retirados do mercado e as novas tecnologias ganham mais espaço nas prateleiras. Mas há quem recrimine esta mudança, como o designer alemão Ingo Mauer
Suzana Camargo, de Zurique – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 30/09/2009
Desde o mês passado é lei: os 27 países da Comunidade Européia têm até 2012 para acabar com a produção, importação e venda de lâmpadas incandescentes (aquelas que utilizam filamento) e de halogêneo. Entretanto, as chamadas incandescentes “melhoradas” continuarão a ser comercializadas e não somente as fluorescentes compactas (LFC’s). Lâmpadas transparentes terão que atingir a classe A da classificação energética da UE (energia de 75% ou mais), para continuar no mercado. A nova lei foi promulgada em 18 de março de 2009 e entrou em vigor no último 1º de setembro.
10 a 15% da energia consumida em casas e lares vêm das lâmpadas. Inventadas em 1879, as incandescentes não sofreram grandes modificações desde aquela época. Apesar de ser muito barata, ao ser acesa, a lâmpada incandescente libera 95% de calor e somente 5% de luz. Segundo a Comissão Européia de Energia, com a troca das incandescentes pelos novos tipos de lâmpada, uma família pode economizar entre 25 a 50 euros por ano. A previsão é que a com a mudança gradual, até 2020, sejam poupados 40TWh, o equivalente à utilização energética de 11 milhões de lares europeus – cerca de 5 milhões de euros. Além disso, haverá redução de até 15 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano.
O cronograma estabelecido pela Comissão Européia de Energia prevê que já em 2009 as lâmpadas de 100W ou mais fortes já desapareçam do mercado. Em 2001, será a vez das lâmpadas de 60W e, no ano seguinte, 40W e 25W. No final de 2012, todas estarão fora do comércio. Por vontade própria e para apoiar a nova lei, a maioria dos grandes varejistas do Reino Unido pararam de comprar e estocar lâmpadas de 75W, 100W e 150W, já no começo deste ano.
A Suíça, que não faz parte da Comunidade Européia, está implementando um processo parecido aos dos países vizinhos. Desde o começo de 2009, as lâmpadas com nível de eficiência menor (categorias F e G) tiveram as vendas proibidas. Além disso, as duas maiores redes de supermercado suíças, já há algum tempo, têm dado ênfase – com campanhas de marketing – à compra de lâmpadas que consomem menos energia. Na rede de lojas Migros, a maior do país, as lâmpadas transparentes já não estão mais nas prateleiras.
CRÍTICAS À NOVA LEI
Organizações não-governamentais, comprometidas com a proteção do meio ambiente, como a WWF, criticam a lentidão do processo. Também alertam que as lâmpadas de halogêneo tradicionais deveriam ser retiradas do mercado, por consumirem tanta energia quanto as incandescentes. “A iniciativa de banir as incandescentes é excelente, mas os governos europeus precisam retirar de vez do mercado todos os produtos que consomem energia demasiada, como as lâmpadas de halogêneo”, afirma Richard Dixon, diretor do escritório da WWF na Escócia.
Além disso, ativistas dizem que é preciso oferecer mais locais onde a população possa descartar as lâmpadas velhas para serem recicladas. “Informação clara na embalagem do produto e sistema de coleta para reciclagem no ponto de venda são cruciais para ajudar o consumidor”, recomenda Dixon.
Mais do que inibir a compra, é necessário mudar os hábitos de consumo da população. Muita gente ainda vê com antipatia as LFC’s, por acharem esteticamente feias. Mas o mercado já está trabalhando em novos modelos para agradar a todo tipo de consumidor.
Vários artistas plásticos, que costumam trabalhar com lâmpadas incandescentes em obras de arte e projetos de decoração, protestaram contra a nova lei. Um dos principais defensores das velhas lâmpadas é o designer alemão Ingo Maurer. Durante um evento de design, realizado em abril deste ano, em Milão, o artista montou uma instalação protesto onde chamava a lei de estúpida e sugeria que as pessoas usassem camisinhas nas lâmpadas transparentes. Segundo Maurer, as fluorescentes dão uma sensação desagradável e as incandescentes são ideais para quem precisa ler ou trabalhar durante a noite, por exemplo. “Quem sairá perdendo é o consumidor. A troca não será equivalente. É como trocar uma televisão flat screen por uma válvula antiga ou então uma geladeira silenciosa por uma barulhenta”, ironiza o artista.
Maurer garante que de maneira nenhuma é contra novas tecnologias. Em muitos projetos de sua empresa, lâmpadas modernas são utilizadas, mas ele defende que as incandescentes não sejam totalmente retiradas do mercado. Além disso, diz que as fluorescentes também são prejudiciais ao meio ambiente. Num comunidade em seu website, o artista garante que, para produzir uma LFC, utiliza-se até dez vezes mais matéria-prima e energia comparada à produção das incandescentes. Maurer alerta, ainda, para o descarte das fluorescentes, que possuem mercúrio. Se não forem jogadas em lixo adequado, podem contaminar o solo e a água.
ALTERNATIVAS DISPONÍVEIS
- Lâmpadas incandescentes melhoradas - Classe C da classificação energética, lâmpada de halogêneo enchida com gás xénon. Consome 20 a 25% menos energia e dura duas vezes mais (2 anos).
- Lâmpadas incandescentes melhoradas - Classe B da classificação energética, lâmpada de halogêneo com revestimento infravermelho. Consome 45% menos energia e dura três vezes mais (3 anos).
- Lâmpadas fluorescentes compactas (LFCs) – Usam entre 65 e 80% menos energia e podem durar entre 6 e 15 anos.
- Díodos emissores de luz (LEDs) – Têm a mesma eficiência energética das LFC’s, mas não contêm mercúrio e duram ainda mais. A LED está começando a ser comercializada, ainda é uma nova tecnologia, ou seja, pouco difundida.
*Comissão Européia de Energia
*Ingo Maurer
*WWF
*Migros
Desde o mês passado é lei: os 27 países da Comunidade Européia têm até 2012 para acabar com a produção, importação e venda de lâmpadas incandescentes (aquelas que utilizam filamento) e de halogêneo. Entretanto, as chamadas incandescentes “melhoradas” continuarão a ser comercializadas e não somente as fluorescentes compactas (LFC’s). Lâmpadas transparentes terão que atingir a classe A da classificação energética da UE (energia de 75% ou mais), para continuar no mercado. A nova lei foi promulgada em 18 de março de 2009 e entrou em vigor no último 1º de setembro.
10 a 15% da energia consumida em casas e lares vêm das lâmpadas. Inventadas em 1879, as incandescentes não sofreram grandes modificações desde aquela época. Apesar de ser muito barata, ao ser acesa, a lâmpada incandescente libera 95% de calor e somente 5% de luz. Segundo a Comissão Européia de Energia, com a troca das incandescentes pelos novos tipos de lâmpada, uma família pode economizar entre 25 a 50 euros por ano. A previsão é que a com a mudança gradual, até 2020, sejam poupados 40TWh, o equivalente à utilização energética de 11 milhões de lares europeus – cerca de 5 milhões de euros. Além disso, haverá redução de até 15 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano.
O cronograma estabelecido pela Comissão Européia de Energia prevê que já em 2009 as lâmpadas de 100W ou mais fortes já desapareçam do mercado. Em 2001, será a vez das lâmpadas de 60W e, no ano seguinte, 40W e 25W. No final de 2012, todas estarão fora do comércio. Por vontade própria e para apoiar a nova lei, a maioria dos grandes varejistas do Reino Unido pararam de comprar e estocar lâmpadas de 75W, 100W e 150W, já no começo deste ano.
A Suíça, que não faz parte da Comunidade Européia, está implementando um processo parecido aos dos países vizinhos. Desde o começo de 2009, as lâmpadas com nível de eficiência menor (categorias F e G) tiveram as vendas proibidas. Além disso, as duas maiores redes de supermercado suíças, já há algum tempo, têm dado ênfase – com campanhas de marketing – à compra de lâmpadas que consomem menos energia. Na rede de lojas Migros, a maior do país, as lâmpadas transparentes já não estão mais nas prateleiras.
CRÍTICAS À NOVA LEI
Organizações não-governamentais, comprometidas com a proteção do meio ambiente, como a WWF, criticam a lentidão do processo. Também alertam que as lâmpadas de halogêneo tradicionais deveriam ser retiradas do mercado, por consumirem tanta energia quanto as incandescentes. “A iniciativa de banir as incandescentes é excelente, mas os governos europeus precisam retirar de vez do mercado todos os produtos que consomem energia demasiada, como as lâmpadas de halogêneo”, afirma Richard Dixon, diretor do escritório da WWF na Escócia.
Além disso, ativistas dizem que é preciso oferecer mais locais onde a população possa descartar as lâmpadas velhas para serem recicladas. “Informação clara na embalagem do produto e sistema de coleta para reciclagem no ponto de venda são cruciais para ajudar o consumidor”, recomenda Dixon.
Mais do que inibir a compra, é necessário mudar os hábitos de consumo da população. Muita gente ainda vê com antipatia as LFC’s, por acharem esteticamente feias. Mas o mercado já está trabalhando em novos modelos para agradar a todo tipo de consumidor.
Vários artistas plásticos, que costumam trabalhar com lâmpadas incandescentes em obras de arte e projetos de decoração, protestaram contra a nova lei. Um dos principais defensores das velhas lâmpadas é o designer alemão Ingo Maurer. Durante um evento de design, realizado em abril deste ano, em Milão, o artista montou uma instalação protesto onde chamava a lei de estúpida e sugeria que as pessoas usassem camisinhas nas lâmpadas transparentes. Segundo Maurer, as fluorescentes dão uma sensação desagradável e as incandescentes são ideais para quem precisa ler ou trabalhar durante a noite, por exemplo. “Quem sairá perdendo é o consumidor. A troca não será equivalente. É como trocar uma televisão flat screen por uma válvula antiga ou então uma geladeira silenciosa por uma barulhenta”, ironiza o artista.
Maurer garante que de maneira nenhuma é contra novas tecnologias. Em muitos projetos de sua empresa, lâmpadas modernas são utilizadas, mas ele defende que as incandescentes não sejam totalmente retiradas do mercado. Além disso, diz que as fluorescentes também são prejudiciais ao meio ambiente. Num comunidade em seu website, o artista garante que, para produzir uma LFC, utiliza-se até dez vezes mais matéria-prima e energia comparada à produção das incandescentes. Maurer alerta, ainda, para o descarte das fluorescentes, que possuem mercúrio. Se não forem jogadas em lixo adequado, podem contaminar o solo e a água.
ALTERNATIVAS DISPONÍVEIS
- Lâmpadas incandescentes melhoradas - Classe C da classificação energética, lâmpada de halogêneo enchida com gás xénon. Consome 20 a 25% menos energia e dura duas vezes mais (2 anos).
- Lâmpadas incandescentes melhoradas - Classe B da classificação energética, lâmpada de halogêneo com revestimento infravermelho. Consome 45% menos energia e dura três vezes mais (3 anos).
- Lâmpadas fluorescentes compactas (LFCs) – Usam entre 65 e 80% menos energia e podem durar entre 6 e 15 anos.
- Díodos emissores de luz (LEDs) – Têm a mesma eficiência energética das LFC’s, mas não contêm mercúrio e duram ainda mais. A LED está começando a ser comercializada, ainda é uma nova tecnologia, ou seja, pouco difundida.
*Comissão Européia de Energia
*Ingo Maurer
*WWF
*Migros