jovem doutor
Universitários promovem saúde preventiva e ambiental
Equipe multidisciplinar universitária repassa conhecimentos a jovens do ensino fundamental e médio e a usuários da saúde, sobre prevenção e meio ambiente, com o propósito de torná-los multiplicadores em suas comunidades
Sucena Shkrada Resk
Planeta Sustentável - 20/11/2008
Desde 2007, o Projeto Jovem Doutor envolve universitários, desde a área da saúde à ambiental, estudantes do ensino fundamental e médio, comunidade e parceiros públicos, do terceiro setor e da iniciativa privada, com o propósito de potencializar a multiplicação do conhecimento sobre saúde preventiva e educação ambiental.. A iniciativa ocorre por meio de educação presencial e à distância. Hoje, o projeto é desenvolvido nos municípios de Tatuí, SP, Parintins e Manaus (AM) e, desde o segundo semestre de 2008, na vila Dalva, em São Paulo, capital.
Novas implementações estão previstas em Bauru/SP, e em São Luís/MA e a meta é formar, a longo prazo, uma rede nacional. “Hoje, desenvolvemos a etapa conceitual de que a universidade pode potencializar a capacidade multiplicadora dos estudantes em suas comunidades. É uma forma de resgatar o papel social da academia”, afirma o idealizador e coordenador do projeto, Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O médico também é um dos responsáveis pelo Projeto de Telemedicina Estação Digital Médica www.estacaodigitalmedica.org.br, vinculada ao Programa Institutos do Milênio do CNPq/MCT.
“O nome ‘doutor’ significa ato de ensinar e atitude de respeito. O jovem, portanto, é um doutor, ao ensinar os amigos na escola, a sua família em casa, e a comunidade”, explica Wen. O processo de capacitação dos adolescentes e adultos, segundo ele, envolve orientações e atividades práticas relacionadas a temas de como lidar com o problema do alcoolismo e dependência química, câncer de pele, dengue, DST e AIDS, hanseníase, lombalgia, saúde bucal e vocal (fonação), além de planejamento nutricional e práticas de educação ambiental.
“Esses são os eixos principais, que podem ser adaptados às características locais. Por exemplo, não é possível abrir mão da hanseníase em Parintins e Manaus, já que o Brasil é o segundo país em casos, sendo 70% na região amazônica”, diz.
Para tornar o projeto sustentável, Wen afirma que são realizadas parcerias. “O trabalho intercala visitas presenciais, para desenvolvimento de dinâmicas e criação de vínculo emocional, com educação à distância, por meio de instrumentos como web conferências e cybertutor”, diz.
Entre as ferramentas utilizadas, está o projeto Homem Virtual, desenvolvido também pela Telemedicina/ USP, que disponibiliza “aulas” em 3D sobre os temas, além de recursos como cartazes, o que exige apenas um aparelho de CD Player e uma parede para afixar o material.
“Nosso propósito não é só o de ensinar, mas certificar a aquisição de conhecimento. Então, fazemos uma pequena banca julgadora para analisar a apresentação em grupo. É uma forma de estimular o estudante e desafiá-lo a mostrar como replicará as informações”, conta o coordenador do projeto. Assim esse estudante será habilitado a se tornar um “jovem doutor sênior” e repassar seu aprendizado adiante.
CADA MUNICÍPIO, UM PROGRAMA
Em Tatuí, foi realizada parceria com as secretarias de Saúde e Educação, para a implementação do projeto. “Lá foram orientados 26 alunos de ensino médio, entre fevereiro de 2007 e fevereiro deste ano. “Em 2009, haverá mais uma etapa de seis meses, para que o projeto ganhe auto-sustentabilidade, com a montagem de um espaço físico e ambientes interativos de aprendizagem (com o Homem Virtual) para a comunidade poder desenvolver palestras”, diz. O desafio, segundo Wen, é mobilizar patrocínio, unindo a gestão municipal com a iniciativa privada local.
No caso de Parintins, onde o Projeto Jovem Doutor foi implantado em outubro de 2007, o médico conta que a iniciativa foi possível devido a uma parceria com a Intel, que já mantinha uma base de tecnologia social, desde 2006. “Assim realizamos o treinamento por videoconferência e promovemos o conceito de que a criação de valores também pode ser feita à distância”, diz. “Cerca de 30 alunos participaram dessa etapa. Pudemos descobrir dons artísticos desses adolescentes, em utilizar a criatividade para criar a maquete do corpo humano”, conta.
A próxima etapa prevê a participação dos agentes do Programa Saúde da Família (PSF) nessa troca de conhecimentos nas escolas. “Mesmo numa cidade isolada, no meio da região amazônica, é possível ter revisão de atitudes, por meio da telemedicina, com a colaboração entre as universidades, quebrando barreiras geográficas. E quando os gestores têm interesse, a coisa acontece. O mote é motivar as pessoas por uma mesma causa, em desenvolver posturas e atitudes, com os mesmo recursos”. Em Manaus, o projeto está ocorrendo nas áreas de recepção de hospitais.
Segundo Wen, a UFAM - Universidade Federal do Amazonas e a UEA - Universidade do Estado do Amazonas se tornaram parceiras do projeto, junto com as secretarias municipais de Educação e Saúde, o que o tornou viável.
Na Vila Dalva, na cidade de São Paulo, é realizado atualmente na Emef General Álvaro Silva Braga, desde o início do segundo semestre deste ano. As ações envolvem a participação das secretarias de saúde e educação e entidades do terceiro setor locais.
EXERCÍCIO DE CIDADANIA
“Demos mais ênfase à questão ambiental, que deverá ser multiplicada nas outras experiências em outras cidades”, conta Wen. Estudantes de 5ª e 6ª séries participam das atividades presenciais em um laboratório montado pelo projeto na unidade. “Um dos efeitos multiplicadores socioambientais já registrados é a promoção de uma Feira de Eletrônicos (usados), para evitar o despejo de lixo eletrônico no meio ambiente, realizada neste mês na escola. Os recursos serão destinados à manutenção da unidade”, explica a engenheira ambiental Tatiana Novis Lopes Gil, do grupo da Telemedicina/USP, que coordena a atividade.
Durante as atividades do Jovem Doutor, há orientações para reaproveitamento de alimentos, propostas de ensino de técnica de compostagem, horta comunitária e reciclagem, entre outras. “Agora pego as garrafas PET, que vejo na rua, para poder montar um banco. E também separo o papel usado para fazer bloquinho de anotação”, diz a aluna Cíntia de Oliveira dos Santos, 11 anos, da 5ª série. Segundo ela, com as orientações, já pôde esclarecer sua mãe também sobre a importância de lavar a mão, para evitar doenças.
Para Matheus Ferreira da Silva Santos, 12, um dos principais conhecimentos que adquiriu é que não se deve destruir a natureza. “É dela que vem o oxigênio para todos nós. Por isso, quero combater a poluição, para evitar o aquecimento global. Já reciclo tudo em casa, faço pufs, bijuteiras com enfeites de lata e aconselho que não se deve jogar óleo no ralo da pia, que vai para os rios”, fala.
A nutricionista Érika Toassa, mestranda na USP, que participa do grupo de universitários que atua na Vila Dalva e em Tatuí, afirma que é gratificante observar como crianças e adolescentes assimilam as informações e se propõem a mudanças de hábitos. “Eles se tornam promotores de saúde, participando de mutirões. Em Tatuí, por exemplo, tiveram posturas pró-ativas de tentar angariar fundos para camisetas do projeto, propondo conceder palestras em empresas. Independente do resultado, isso demonstra um avanço”, considera.
Quem tiver interesse em obter outras informações sobre o Projeto Jovem Doutor pode entrar em contato com a ONG pelo telefone (011) 3062-8784 ou pelo e-mail jovemdoutor@jovemdoutor.org.br
Desde 2007, o Projeto Jovem Doutor envolve universitários, desde a área da saúde à ambiental, estudantes do ensino fundamental e médio, comunidade e parceiros públicos, do terceiro setor e da iniciativa privada, com o propósito de potencializar a multiplicação do conhecimento sobre saúde preventiva e educação ambiental.. A iniciativa ocorre por meio de educação presencial e à distância. Hoje, o projeto é desenvolvido nos municípios de Tatuí, SP, Parintins e Manaus (AM) e, desde o segundo semestre de 2008, na vila Dalva, em São Paulo, capital.
Novas implementações estão previstas em Bauru/SP, e em São Luís/MA e a meta é formar, a longo prazo, uma rede nacional. “Hoje, desenvolvemos a etapa conceitual de que a universidade pode potencializar a capacidade multiplicadora dos estudantes em suas comunidades. É uma forma de resgatar o papel social da academia”, afirma o idealizador e coordenador do projeto, Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O médico também é um dos responsáveis pelo Projeto de Telemedicina Estação Digital Médica www.estacaodigitalmedica.org.br, vinculada ao Programa Institutos do Milênio do CNPq/MCT.
“O nome ‘doutor’ significa ato de ensinar e atitude de respeito. O jovem, portanto, é um doutor, ao ensinar os amigos na escola, a sua família em casa, e a comunidade”, explica Wen. O processo de capacitação dos adolescentes e adultos, segundo ele, envolve orientações e atividades práticas relacionadas a temas de como lidar com o problema do alcoolismo e dependência química, câncer de pele, dengue, DST e AIDS, hanseníase, lombalgia, saúde bucal e vocal (fonação), além de planejamento nutricional e práticas de educação ambiental.
“Esses são os eixos principais, que podem ser adaptados às características locais. Por exemplo, não é possível abrir mão da hanseníase em Parintins e Manaus, já que o Brasil é o segundo país em casos, sendo 70% na região amazônica”, diz.
Para tornar o projeto sustentável, Wen afirma que são realizadas parcerias. “O trabalho intercala visitas presenciais, para desenvolvimento de dinâmicas e criação de vínculo emocional, com educação à distância, por meio de instrumentos como web conferências e cybertutor”, diz.
Entre as ferramentas utilizadas, está o projeto Homem Virtual, desenvolvido também pela Telemedicina/ USP, que disponibiliza “aulas” em 3D sobre os temas, além de recursos como cartazes, o que exige apenas um aparelho de CD Player e uma parede para afixar o material.
“Nosso propósito não é só o de ensinar, mas certificar a aquisição de conhecimento. Então, fazemos uma pequena banca julgadora para analisar a apresentação em grupo. É uma forma de estimular o estudante e desafiá-lo a mostrar como replicará as informações”, conta o coordenador do projeto. Assim esse estudante será habilitado a se tornar um “jovem doutor sênior” e repassar seu aprendizado adiante.
CADA MUNICÍPIO, UM PROGRAMA
Em Tatuí, foi realizada parceria com as secretarias de Saúde e Educação, para a implementação do projeto. “Lá foram orientados 26 alunos de ensino médio, entre fevereiro de 2007 e fevereiro deste ano. “Em 2009, haverá mais uma etapa de seis meses, para que o projeto ganhe auto-sustentabilidade, com a montagem de um espaço físico e ambientes interativos de aprendizagem (com o Homem Virtual) para a comunidade poder desenvolver palestras”, diz. O desafio, segundo Wen, é mobilizar patrocínio, unindo a gestão municipal com a iniciativa privada local.
No caso de Parintins, onde o Projeto Jovem Doutor foi implantado em outubro de 2007, o médico conta que a iniciativa foi possível devido a uma parceria com a Intel, que já mantinha uma base de tecnologia social, desde 2006. “Assim realizamos o treinamento por videoconferência e promovemos o conceito de que a criação de valores também pode ser feita à distância”, diz. “Cerca de 30 alunos participaram dessa etapa. Pudemos descobrir dons artísticos desses adolescentes, em utilizar a criatividade para criar a maquete do corpo humano”, conta.
A próxima etapa prevê a participação dos agentes do Programa Saúde da Família (PSF) nessa troca de conhecimentos nas escolas. “Mesmo numa cidade isolada, no meio da região amazônica, é possível ter revisão de atitudes, por meio da telemedicina, com a colaboração entre as universidades, quebrando barreiras geográficas. E quando os gestores têm interesse, a coisa acontece. O mote é motivar as pessoas por uma mesma causa, em desenvolver posturas e atitudes, com os mesmo recursos”. Em Manaus, o projeto está ocorrendo nas áreas de recepção de hospitais.
Segundo Wen, a UFAM - Universidade Federal do Amazonas e a UEA - Universidade do Estado do Amazonas se tornaram parceiras do projeto, junto com as secretarias municipais de Educação e Saúde, o que o tornou viável.
Na Vila Dalva, na cidade de São Paulo, é realizado atualmente na Emef General Álvaro Silva Braga, desde o início do segundo semestre deste ano. As ações envolvem a participação das secretarias de saúde e educação e entidades do terceiro setor locais.
EXERCÍCIO DE CIDADANIA
“Demos mais ênfase à questão ambiental, que deverá ser multiplicada nas outras experiências em outras cidades”, conta Wen. Estudantes de 5ª e 6ª séries participam das atividades presenciais em um laboratório montado pelo projeto na unidade. “Um dos efeitos multiplicadores socioambientais já registrados é a promoção de uma Feira de Eletrônicos (usados), para evitar o despejo de lixo eletrônico no meio ambiente, realizada neste mês na escola. Os recursos serão destinados à manutenção da unidade”, explica a engenheira ambiental Tatiana Novis Lopes Gil, do grupo da Telemedicina/USP, que coordena a atividade.
Durante as atividades do Jovem Doutor, há orientações para reaproveitamento de alimentos, propostas de ensino de técnica de compostagem, horta comunitária e reciclagem, entre outras. “Agora pego as garrafas PET, que vejo na rua, para poder montar um banco. E também separo o papel usado para fazer bloquinho de anotação”, diz a aluna Cíntia de Oliveira dos Santos, 11 anos, da 5ª série. Segundo ela, com as orientações, já pôde esclarecer sua mãe também sobre a importância de lavar a mão, para evitar doenças.
Para Matheus Ferreira da Silva Santos, 12, um dos principais conhecimentos que adquiriu é que não se deve destruir a natureza. “É dela que vem o oxigênio para todos nós. Por isso, quero combater a poluição, para evitar o aquecimento global. Já reciclo tudo em casa, faço pufs, bijuteiras com enfeites de lata e aconselho que não se deve jogar óleo no ralo da pia, que vai para os rios”, fala.
A nutricionista Érika Toassa, mestranda na USP, que participa do grupo de universitários que atua na Vila Dalva e em Tatuí, afirma que é gratificante observar como crianças e adolescentes assimilam as informações e se propõem a mudanças de hábitos. “Eles se tornam promotores de saúde, participando de mutirões. Em Tatuí, por exemplo, tiveram posturas pró-ativas de tentar angariar fundos para camisetas do projeto, propondo conceder palestras em empresas. Independente do resultado, isso demonstra um avanço”, considera.
Quem tiver interesse em obter outras informações sobre o Projeto Jovem Doutor pode entrar em contato com a ONG pelo telefone (011) 3062-8784 ou pelo e-mail jovemdoutor@jovemdoutor.org.br